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domingo, 19 de julho de 2015

LENDA DA REGIÃO NORDESTE A SEMENTE DE SACAIB





Há muitos anos, os índios não sabiam cultivar a terra, nem domesticar os animais. Nunca tinham visto tecer ou fiar. Não construíam malocas. Habitavam em cavernas ou alto das árvores. Pareciam animais selvagens.
       
 Nesse tempo, havia uma tribo cujo pajé era prudente e sábio. Chamava-se Sacaibu. Um dia, esse tuxaua resolveu mudar-se com seus companheiros para um lugar bastante elevado, onde havia boas florestas e muita caça.
Sacaibu aí construiu as primeiras malocas da tribo e plantou uma semente que lhe fora oferecida por Tupã. E esperou que essa semente germinasse.
Perto da montanha onde vivia a tribo, abria-se um grande abismo. Os índios passavam horas e horas, olhando para o fundo desse grotão, no desejo de conhecer o vale misterioso que ali devia existir, mas que não se podia ver por causa das florestas espessas que o recobriam.
Enquanto isso a semente plantada por Sacaibu germinou, desenvolveu-se e transformou-se numa bela árvore. Certo dia, os índios viram que as flores dessa árvore se abriam, mostrando lindos tufos brancos. Era o algodão.
Aconselhados por Sacaibu, os indígenas colheram os tufos brancos, desfiaram- nos, teceram os seus fios e fizeram com os mesmos cordas longas e fortes.
Com essas cordas puderam descer o abismo. E foi grande a sua surpresa quando viram que o vale era habitado por um povo adiantado, forte e bem organizado. Os moradores do vale eram também generosos e prestativos. E, atendendo ao pedido de Sacaibu, subiram pelas cordas e foram auxiliar os índios a cultivar suas terras.
      
 Assim  nasceram os primeiros algodoeiros no Brasil.

domingo, 14 de junho de 2015

A LENDA DO PREGUIÇOSO



Lendas

São narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas com o objetivo de explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. Para isso há uma mistura de fatos reais com imaginários. Misturam a história e a fantasia. As lendas vão sendo contadas ao longo do tempo e modificadas através da imaginação do povo. Ao se tornarem conhecidas, são registradas na linguagem escrita.

Características de uma Lenda:

- Se utiliza da fantasia ou ficção, misturando-as com a realidade dos fatos.
- Faz parte da tradição oral, e vem sendo contada através dos tempos.
- Usam fatos reais e históricos para dar suporte às histórias, mas junto com eles envolvem a imaginação para “aumentar um ponto” na realidade.
- Fazem parte da realidade cultural de todos os povos.
- Assim como os mitos, fornecem explicações aos fatos que não são explicáveis pela ciência ou pela lógica. Essas explicações, porém, são mais facilmente aceitas, pois apesar de serem fruto da imaginação não são necessariamente sobrenaturais ou fantásticas.
- Sofrem alterações ao longo do tempo, por serem repassadas oralmente e receberem a impressão e interpretação daqueles que a propagam.




A LENDA DO PREGUIÇOSO
Diz que era uma vez um homem que era o mais preguiçoso que já se viu debaixo do céu e acima da terra.
Ao nascer nem chorou, e se pudesse falar teria dito.“Choro não, depois eu choro”.
Também a culpa não era do pobre. Foi o pai que fez pouco caso quando a parteira ralhou com ele:
“Não cruze as pernas, moço, não presta! Atrasa o menino pra nascer e ele pode crescer na preguiça, manhoso”.
E a sina se cumpriu. Cresceu o menino na maior preguiça e fastio. Nada de roça de lida, tanto que um dia o moço se viu sozinho no pequeno sítio da família onde já não se plantava nada. O mato foi crescendo em volta da casa e ele já não tinha o que comer. Vai então que ele chama o vizinho, que era também seu compadre, e pede pra ser enterrado ainda vivo.
O outro no começo não queria atender ao estranho pedido, mas quando se lembrou de que negar favor e desejo de compadre dá sete anos de azar...
E lá se foi o cortejo, carregado por alguns poucos, nos braços de Josefina sua rede de estimação. Quando passou diante da casa do fazendeiro mais rico da cidade, este tirou o chapéu, em sinal de respeito, e perguntou:
“Quem é que vai ai? Que Deus o tenha!”.
“Deus não tem ainda não, moço. Ta vivo”.
E quando o fazendeiro soube que era porque não tinha mais o que comer, ofereceu dez sacas de arroz. O preguiçoso levantou a aba do chapéu e ainda da rede cochichou no ouvido do homem:
“Moço, esse seu arroz ta escolhidinho, limpinho e cozidinho?”.
“Tá não”.
“Então toque o enterro, pessoal”.
E é por isso que se diz que é preciso prestar atenção nas crendices e superstições da ciência popular. (conto de Giba Predroza).

O sapo e a cobra



O sapo e a cobra

Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido. Ele estava  deitado no meio do caminho.
- Alô! Que é que você está fazendo estirada na estrada?
- Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha, e você?
- Um sapo. Vamos brincar?
E eles brincaram a manhã toda no mato.
- Vou ensinar você a pular.
E eles pularam a tarde toda pela estrada.
- Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando pelo tronco.
E eles subiram.
Ficaram com fome e foram embora, cada um para sua casa, prometendo se encontrar no dia seguinte.
- Obrigada por me ensinar a pular.
- Obrigado por me ensinar a subir na árvore.
Em casa, o sapinho mostrou à mãe que sabia rastejar.
- Quem ensinou isso para você?
- A cobra, minha amiga.
- Você não sabe que a família Cobra não é gente boa? Eles têm veneno. Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por aí. Não fica bem...
Em casa, a cobrinha mostrou à mãe que sabia pular.
- Quem ensinou isso para você?
- O sapo, meu amigo.
- Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu com a família Sapo? Da próxima vez, agarre o sapo e... Bom apetite! E pare de pular! Nós, cobras, não fazemos isso.
No dia seguinte, “cada um ficou na sua”.
A cobrinha olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: “Se ele chegar perto, eu pulo e  devoro ele!”
Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato.
Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos. Mas ficavam sempre no sol, pensando no único dia em que foram amigos!
                                              
(Lenda africana - William J. Bennett. “O livro das virtudes”. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.)